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Maturidade


“Não crescemos absolutamente, cronologicamente. Crescemos às vezes numa dimensão e não em outra; desigualmente. Crescemos parcialmente. Somos relativos. Somos maduros em um domínio, infantis noutro.

O passado, presente e futuro misturam-se e puxam-nos para trás, para frente ou fixam-nos no presente.

Somos feitos de camadas, células, constelações.”

— Anaïs Nin



Hoje lia o seguinte: “um estudo descobriu que alguns cérebros de 8 anos exibiam maiores níveis de maturação na conectividade cerebral do que outros cérebros de 25 anos”. - Não é engraçado? - O sumário do artigo afirmava: “À medida que diferentes áreas do cérebro amadurecem em proporções diferentes, os neurocientistas argumentam que é mais difícil do que parece, justificar quando é que o cérebro ‘atinge a maturidade’.” - Para os legisladores ou formuladores de políticas, que precisam de decidir qual é a idade em que o cérebro é legalmente adulto, isto resulta num grande constrangimento. Caso contrário, estas notícias da neurociência sobre a plasticidade do cérebro, são sempre bastante empolgantes para mim, também porque elas se alinham com os princípios nos quais trabalho, enquanto praticante de Feldenkrais®. No mesmo artigo, podia ler-se: “A plasticidade do cérebro – a sua capacidade de interagir com o ambiente, criar novas conexões e desenvolver novos neurônios ao longo do tempo – também faz com que a mudança seja constante ao longo da vida”. - Tal é a premissa fundamental do Método Feldenkrais®.


O Dr. Moshe Feldenkrais escreveu um livro muito interessante chamado - “Body and Mature Behavior” – onde maturidade pode ser vista não como um patamar imóvel e estagnado, mas mais como um estado ideal que nunca é completamente alcançado. Um estado em que a capacidade única, de cada um, gerar respostas inovadoras ao ambiente em que se encontra, atingiria a sua perfeição máxima. Para ele, o caminho para a maturidade é dinâmico, interminável e, principalmente, relacionado com a nossa capacidade de aprender sem compulsão interna mas por escolha consciente.

Quando crianças, os diferentes padrões de atividade foram estabelecidos em nós graças a uma certa regularidade, repetitividade e, também, um certo tom emocional, por parte dos nossos educadores. Por vezes, porém, poderia acontecer que certos excessos tornassem alguns padrões muito rígidos e difíceis de desfazer. De tal forma que, independentemente da idade, ainda hoje não se consiga dissociar certos atos do tônus emotivo com que foram inculcados pela primeira vez. Assim, acontece que às vezes somos bastante maduros em certos aspectos das nossas vidas e muito imaturos em outros. A forma como respondemos a eventos agradáveis ​​ou aflitivos, é profundamente marcada por uma determinada atitude interna, que faz toda a diferença na forma como criamos comportamentos saudáveis.

Portanto, nas aulas de Feldenkrais®, o que nós praticamos é quebrar padrões globais nas suas partes constituintes. Depois, reformamos essas partes num padrão, dissociado de experiências anteriores e que é mais adequado à circunstância presente. Feldenkrais acreditava que dessa forma podemos moldar conscientemente o nosso sistema nervoso, aprendendo continuamente novos padrões de ação que, no nosso dia-à-dia, só nos dão mais liberdade na forma como respondemos aos eventos, independentemente, de estes serem internos ou externos a nós.


Por fim, deixo-te com uma ideia que, para mim, é particularmente útil e que, em Feldenkrais, anda de mãos dadas com a procura de maturidade. “A perfeição é tão essencial quanto o seu oposto, e não há justificativa para enlouquecer por ela. No que diz respeito ao comportamento potente e saudável, nada é mais importante do que o grau de compulsão interna com que agimos.”


Obrigado pela tua atenção. Espero encontrar-te na próxima aula.


Calorosamente,

Sofia



P.S. - Altamente recomendável é esta cimeira de Feldenkrais® online e gratuita, com 48 aulas virtuais ao vivo e com professores de à volta do mundo:

“Move Better, Feel Better ” - May 1-2, 2022.



Referências:

FELDENKRAIS, Moshe, “Body and Mature Behaviour - A Study of Anxiety, Sex, Gravitation, & Learning”, London, 1949

FELDENKRAIS, Moshe, “The Potent Self - A Study of Spontaneity and Compulsion”, San Francisco, 1985






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